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Uma volta para os anos 80: análise do gênero New Wave

  • Foto do escritor: Mnemósine
    Mnemósine
  • 6 de abr. de 2025
  • 5 min de leitura

Feito por Júlia


Para essa análise pensei em escrever livros que me marcaram, filmes que são meus favoritos, mas nada nunca me “apetece” e conforta tanto quanto a música. Desde que me entendo como ser humano que não só consome, mas também necessita de arte, seja ela qual for, a música tem me acompanhado e sido meu vício. Para Bouro (2000, p.25) “portanto, entendendo arte como produto do embate homem/mundo, consideramos que ela é vida”.


Mas a música é algo muito amplo que abarca diferentes estilos, gêneros e ritmos. Apesar de me considerar uma pessoa eclética, ouvir um pouco de tudo, tem dois estilos que sou apegada: o rock e a New Wave, traduzido para o português como Nova Onda e a razão para essa análise.


Embora tenha entrado em contato com o conceito a pouco tempo, as bandas desse estilo sempre se refletiram no meu gosto musical. Porém, foi ano passado, no ano de 2024 que aflorou mais do que nunca. Após decidir que Enjoy the Silence do Depeche Mode é a música da minha vida, comecei a escutar outras músicas dessa e de outros artistas parecidos. Pareceu então que havia encontrado aquela velha conhecida sensação de escutar uma música muito boa pela primeira vez, só que dessa vez era algo diferente e maior, pois encontrei toda uma nova onda.

Colagem feita por Júlia
Colagem feita por Júlia

Depois dessa longa introdução, é preciso que eu explique minimamente o que significa a New Wave e o que ela representa. O gênero surgiu no final dos anos de 1970 e início de 1980, em resposta principalmente ao punk e englobava diferentes estilos musicais, desde o próprio punk rock a elementos da música eletrônica, pop e reggae. Suas principais características são o uso de sintetizadores e drum machines, uso de uma abordagem inovadora e uma estética distinta bastante associada à cultura jovem da época. As bandas destaques se diferem entre si, mas carregam as características em comum citadas acima, como o Talking Heads, com uma pegada eclética que misturava elementos da vanguarda, funk e world music; Depeche Mode, que utilizou brilhantemente da música eletrônica, o sintetizador e o teclado como nenhuma outra banda; Duran Duran, talvez a banda que mais conseguiu condensar o gênero e expandir com suas canções, tinha elementos do pop e um visual marcante, assim como, Blondie, The Human League, Tears For Fears e Erasure, todas essas bandas que foram a máxima do gênero. A New Wave, com suas batidas envolventes, refrões viciantes e estética futurista, teve um grande apelo ao mainstream, definindo o que seria em grande parte os anos de 1980. 


Agora imagine que você está em um bar com seus amigos e começa a tocar a música favorita de vocês que é impossível de ficar parado sem cantar e dançar ao máximo, sem se preocupar com o dia de amanhã. Ou então você é teletransportado para aqueles famosos carros antigos, no qual você dirige sozinho ao entardecer pela cidade com as janelas abertas e no rádio toca as músicas que relembram seus tempos glamourosos, mesmo que você ainda tenha seus 18 anos.


Imagine nessa imagem
Imagine nessa imagem

Essa mista sensação define o que é escutar as bandas New Wave, a primeira me lembra Don´t You Want Me do The Human League e a segunda Save a Prayer do Duran Duran.

Banda A flock of seagulls com seus penteados e roupas chamativas
Banda A flock of seagulls com seus penteados e roupas chamativas

A imagem visual para esse estilo musical é tão importante quanto o som, pois é uma das características marcantes do movimento. O visual futurista, ao mesmo tempo, nostálgico, com roupas vibrantes e chamativas, maquiagens andróginas e extravagantes e os ousados penteados permearam na cultura da época, influenciando a moda no chamado Fashion Forward, ou seja, uma mentalidade que busca inovação, criatividade e originalidade.


The Human League e suas maquiagens marcantes
The Human League e suas maquiagens marcantes















Essa estética foi permitida principalmente pela produção dos videoclipes, parte essencial para os artistas da New Wave. Ao mesmo tempo em que a MTV surgia em 1881, o gênero já dava seus primeiros passos. Com a transformação pela MTV na forma de consumo e distribuição de faixas musicais, as bandas investiram pesadamente na produção dos videoclipes com narrativas para complementar suas canções, a exemplo do Duran Duran, que melhor fez o uso da junção do visual com a sonoridade. Uma curiosidade é que o primeiro videoclipe da rede foi de uma banda New Wave, The Buggle (MasterClass, 2021). Com isso, a MTV ajudou a consolidar a New Wave como um fenômeno artístico global.  


Atrelado a isso, um dos grandes destaques dessa era são suas performances ao vivo, fato que me fez apaixonar de vez. É interessante (para não dizer obrigatório!) escutar as músicas nos shows disponibilizados pelo YouTube, no qual há uma certa experiência musical multisensorial unindo a arte auditiva e visual. Os shows do Depeche Mode, em especial das músicas Enjoy the Silence e Never Let Me Down Again, são verdadeiros espetáculos, em que durante seus mais de seis minutos de duração combinam perfeitamente a conexão com o público e as experimentações no palco. (Se até para quem escuta no celular é o máximo, imagine para quem estava presente). Confira um pouco dessa sensção nos vídeos abaixo:





Por fim, é inegável notar as influências que a New Wave teve, principalmente nos dois subgêneros seguintes: synth-pop (Erasure, Pet Shop Boys)  e pós punk (Joy Division). Apesar de seus tempos glamourosos nos anos de 1980, o gênero perdeu força já na década seguinte por não surgirem grandes artistas como antes. No entanto, ainda hoje é possível notar referências da New Wave em bandas atuais, como a M83, que usa o sintetizador como um instrumento essencial e a estética visual do Tame Impala em seus álbuns e clipes, os quais são uma homenagem e inspirados no gênero. Os principais expoentes da New Wave hoje, continuam sendo as mesmas bandas surgidas nos anos 70/80. The Human League, Depeche Mode e Duran Duran são bandas que perpetuam seu legado até hoje nos shows.


Considerações:

Falar de um gênero não é uma tarefa fácil, pois dentro dele existem muitas contribuições e artistas que fazem parte. Em uma ou duas páginas desse site não é possível pontuar todas as questões. Mas nessa análise tentei destacar os pontos que mais me chamam atenção e quais são os seus diferenciais. Uma constante é dizer que as bandas aqui citadas e as outras que ainda não tive contato foram suficientes para realizar algo completo, significativo e permanente que ressoa mais de 40 anos depois.





Obs 1: não falei sobre a nova onda brasileira, porque acredito que ela merece uma análise só para ela. Mas na parte das recomendações você irá encontrar minhas indicações com músicas brasileiras desse gênero.


Obs 2: agora que você já terminou sua leitura, vá testar seus conhecimentos e memória na parte dos jogos. Ah, e confira as outras análises do Mnemosine!! 










 
 
 

1 comentário


EDUARDO CESAR MAIA FERREIRA FILHO
EDUARDO CESAR MAIA FERREIRA FILHO
08 de abr. de 2025

É curioso ver alguém de uma geração mais jovem tão interessada e apaixonada por um "estilo" musical que foi a marcadamente de minha juventude. Aprendi algumas coisas que não sabia e ainda fui estimulado a ouvir novamente algumas canções que há tempo não escutava. A crítica contemporânea tem trabalhado muito com a ideia de nostalgia, justamente porque hoje, com amplo acesso que temos a músicas, movimentos artísticos e produções culturais de qualquer período ou lugar, passamos por um momento de revisão de várias épocas e modas. Muito legal o texto.

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