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Premonição 6: Laços de Sangue tenta ser inovador, mas rompe mal a essência da franquia

  • Foto do escritor: Mnemósine
    Mnemósine
  • 16 de out. de 2025
  • 5 min de leitura

Por Laura Rocha


Após 14 anos, Premonição finalmente ganha uma continuação com o lançamento de Final Destination: Bloodlines. A estreia teve um hype gigantesco. Incluído no catálogo da HBO MAX, o filme foi recorde de abertura da franquia, arrecadando mais de US$285 milhões em bilheteria globalmente.


Ainda sim, pode-se dizer que ele é o melhor entre os seis filmes?


Uma coisa que posso afirmar é que Premonição 6: Laços de Sangue surpreendeu por possuir um roteiro que se distingue do habitual da franquia. Logo de início algo chama atenção: a história se passa no final da década de 60. Curioso, uma vez que os filmes anteriores se passavam entre 2000 e 2010 e seguiam uma ordem cronológica. Apesar disso, a sequência nos primeiros minutos segue a mesma linha dos demais: o protagonista, o “visionário” da vez, é introduzido – nesse caso, Iris –, e então a primeira e “grande” visão acontece.



Iris surge ao lado de seu companheiro, Paul, que decidiu fazer uma surpresa e estava levando-a a um encontro no Sky View, um luxuoso arranha-céu de 494 pés de altura, com um restaurante em seu topo. Antes mesmo de entrar no elevador, para subir na torre, Iris se mostra insegura e amedrontada quanto à altura e à estrutura do prédio, então a tensão e o clímax começam a surgir. Ela está constantemente analisando o ambiente, como se soubesse que algo estava prestes a acontecer.


A atmosfera que vai se criando é muito interessante e instigante: todos nós sabemos que a Morte se aproxima e estamos curiosos para saber qual vai ser o estopim. A premonição acontece e quando Iris se dá conta do que acabou de prever, corre até o microfone da festa para alertar a todos os presentes, que se assustam e deixam o Sky View. Pela primeira vez, um visionário consegue salvar a todos da premonição.


Após isso, nós, telespectadores, temos uma outra surpresa que muda toda a história. O tempo avança cerca de 50 anos e descobrimos que uma jovem, Stefani, estava tendo pesadelos com o “acidente” no Sky View há dois meses.



Esse plot twist foi chocante no mesmo nível que foi decepcionante para mim. Eu estava envolvida na história de Iris, amando a atmosfera da década de 60 e curiosa sobre o que aconteceria logo em seguida naquele espaço-tempo. Foi com essa reviravolta que eu soube que Final Destination: Bloodlines seria diferente de todo o clássico de Premonição, onde toda a história do filme se desenrola em um curto período, com foco nas mortes premeditadas, sem muitas passagens de tempo ou acontecimentos que se alongam.


Neste filme é diferente: há mais diálogos e uma tentativa de aprofundamento na história dos personagens. O roteiro explora algumas possibilidades dentro do universo de Premonição, criando um plot que conecta essa história aos acontecimentos dos filmes anteriores, algo muito parecido com o que vimos em Premonição 5.


Stefani Reys, neta de Iris, é diferente dos protagonistas anteriores. Ela não previu nenhum acidente, o que limita a sua percepção do que aconteceu e está para acontecer. Seus pesadelos são protagonizados por Iris e pelo acidente no Sky View.


Ainda no início do filme, surge outro plot twist: Iris, agora velha, revela que durante anos estudou o funcionamento das premonições e o ciclo da morte, foi assim que ela descobriu que a Morte não persegue apenas quem sobreviveu a uma premonição, mas também sua família. Iris explica que, no caso do Sky View, ela conseguiu salvar todos que estavam no prédio, mas isso apenas adiou o inevitável. A morte foi atrás de cada sobrevivente e, com o tempo, também passou a atingir seus descendentes.


Essa revelação justifica o título Laços de Sangue e amplia a mitologia da franquia, criando uma lógica hereditária que conecta todos os acidentes anteriores. Descobrimos que os sobreviventes do Sky View eram parentes dos personagens que apareceram nos outros filmes. Assim, mortes que vimos em Premonição 1, 2, 3, etc, não foram isoladas, mas parte de um ciclo que atravessa gerações.



Isso, como mencionei acima, é uma clara tentativa de conectar Premonição: Laços de Sangue aos filmes anteriores da franquia. É uma escolha compreensível e até válida, já que o longa foi lançado 14 anos após o último título e apresenta um roteiro que, em essência, já o distancia dos demais. Sem essa conexão, seria somente mais um filme solto. Ainda sim, considero essa tentativa pouco interessante. Como cada filme da franquia teve roteiristas e diretores diferente, a impressão é de que sempre há uma necessidade de surpreender, amarrar a trama e se destacar. Em alguns casos, essa estratégia funciona – Premonição 5, por exemplo, traz um desfecho que, na minha opinião, continua sendo o mais eficiente de todos os filmes. Já em Laços de Sangue, a ideia é promissora, mas a execução não consegue prender.


Finalmente, após uma sequência de dramas familiares, Stefani e sua família começam a buscar por formas de escapar do destino violento. É nesse ponto em que o filme se aproxima da estrutura clássica da franquia. Os personagens passam a imaginar quais serão os próximos passos da Morte e tentam se antecipar. Em alguns momentos conseguem adiar, mas nunca a impedem de fato. Afinal, como o próprio universo de Premonição já deixou claro, quando a Morte decide que chegou a hora, não há como escapar.


O problema é que, apesar de resgatar esse aspecto tradicional da franquia, o filme toma um rumo que o distancia do espírito dos anteriores. A sensação é que o foco neste filme não está nas mortes em si, mas nos conflitos familiares e emocionais. O roteiro se alonga muito, mais do que o habitual. A duração tem cerca de meia hora a mais, quando comparado aos outros, justamente porque dá espaço para diálogos, reconciliações e dramas entre os personagens. Isso o torna diferente das demais obras, mas não necessariamente melhor.


Enquanto que nos demais títulos da franquia somos levados a acompanhar as sequências elaboradas e criativas da Morte, aqui mergulhamos nas tensões que circulam Stefani e sua família, especialmente a sua mãe, que havia se afastado há anos. Ao meu ver, a tentativa de aprofundamento é até atraente, mas acaba esbarrando em personagens pouco cativantes e conflitos desinteressantes.


Ao final do filme, depois de alguns acidentes trágicos, restam apenas Stefan, o irmão e a mãe. Unidos pela primeira vez em muito tempo, eles retornam à antiga casa de Iris numa tentativa de fugir da Morte. A cena final é uma clara referência a Premonição 2, quando Kimberly se lança no carro ao mar para se sacrificar. Aqui, Stefani fica presa dentro da van da mãe, que despenca em um lago. O irmão mergulha para salvá-la e a sequência reproduz quase exatamente o desfecho do segundo filme.



Final Destination: Bloodlines encerra com Stefani sendo resgatada, deixando a sensação de que a produção não encontrou um equilíbrio entre novidade e tradição. Ao apostar em algo novo e pouco convincente, o filme não se conecta com as produções anteriores, além de possuir um roteiro fraco. Houve a tentativa de expandir a franquia de forma criativa, mas o resultado acabou oscilando entre um spin-off e remake, mas sem assumir totalmente nenhum dos dois papéis.


 
 
 

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